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Divino Arbués

Enchentes

AVENIDA QUE ACOMODA
CABEÇAS QUENTES CHEIAS DE PRESSÁGIOS
CABEÇAS FRIAS DE TANTOS NAUFRÁGIOS
QUE APESAR DE TUDO NÃO PERCEBEM
NO LEITO CALMO DA RUA
NA MADRUGADA, CALMO VEM O RIO
ME LEMBRO, JÁ PASSADO, A MESMA HISTÓRIA
A MESMA HISTÓRIA DESSE MESMO RIO

A ENCHENTE CARREGOU
CANOA SEM REMADOR,
O PAU QUE NÃO ENRAIZOU,
A TERRA QUE SE SOLTOU,
A LÁGRIMA QUE ROLOU,
AQUELE QUE CONTESTOU
NÃO AGIU, SE ACOMODOU
E, PASSIVO, A CORRENTEZA ALIMENTOU

NOS MEUS PASSOS EU CARREGO
ACERTOS, ERROS DESSA PAISAGEM
QUE SÓ SE ACALMA COM SUA VONTADE
PELAS VEREDAS DOS OLHOS, MENINA
NO LEITO CALMO DA NOITE
NA MADRUGADA AFORA VAI O AMOR
E VIVO PLENO A MESMA E NOVA HISTÓRIA
A MESMA HISTÓRIA DESSE NOSSO AMOR

O CORAÇÃO TRANSBORDOU
ESTRELA QUE ME FITOU
NOS OLHOS DO MEU AMOR
O BRILHO QUE PROTEGEU,
O CORPO QUE ME AQUECEU
E A TERRA SE RESUMIU
A NOITE, O LEITO, O RIO
SÓ O DIA SERENOU
ENCHENTE DE QUEM AMOU

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